Bioquímica — Função Tireoidiana (Eixo Hormonal)

TSH, T3 Livre e T4 Livre — Tireoide em Campina Grande PB

Dosagem bioquímica do eixo hipófise-tireoide — avaliação hormonal do metabolismo basal, termogênese e homeostase metabólica.

Exames nesta página: TSH T3 Livre T4 Livre
TSH — Hormônio Tireoestimulante

TSH — Bioquímica do Eixo Hipófise-Tireoide

O TSH (Hormônio Tireoestimulante ou Tireotropina) é uma glicoproteína dimérica secretada pela hipófise anterior composta pelas subunidades alfa (compartilhada com LH, FSH e hCG) e beta (específica do TSH, responsável pela atividade biológica).

A sensibilidade analítica de terceira geração é o diferencial bioquímico crítico do TSH moderno: permite detectar supressão tireotóxica com precisão na faixa de 0,01 a 0,1 mUI/L — valores impossíveis de diferenciar com gerações anteriores do ensaio. O TSH age na tireoide ligando-se ao receptor TSHR (receptor do TSH), ativando a via da adenilato ciclase e estimulando síntese e liberação de T3 e T4, crescimento das células foliculares e captação de iodo.

O TSH é o marcador bioquímico mais sensível do eixo tireoidiano — pequenas variações nos níveis de T4 livre produzem alterações logarítmicas no TSH, tornando-o 10 vezes mais sensível que o T4 para detectar disfunções subclínicas.

TSH Bioquímica Eixo Hipófise-Tireoide — CEMED Campina Grande PB

Indicações Clínicas

  • Triagem bioquímica de disfunção tireoidiana subclínica e manifesta — primeiro marcador a se alterar
  • Diagnóstico diferencial bioquímico de hipotireoidismo primário (TSH alto), secundário (TSH baixo ou normal com T4 baixo) e terciário
  • Monitoramento de pacientes em reposição com levotiroxina — coleta 4 a 6 semanas após ajuste de dose
  • Rastreamento obrigatório em gestantes — hipotireoidismo não tratado compromete o desenvolvimento neurológico fetal
  • Avaliação de causa bioquímica de dislipidemia, obesidade ou depressão refratária ao tratamento
  • Triagem neonatal confirmatória após TSH elevado no teste do pezinho

Diferenciais Bioquímicos

3ª Geração — LD 0,01

Limite de detecção abaixo de 0,01 mUI/L — discrimina hipotireoidismo subclínico de tireotoxicose leve.

Relação Logarítmica

TSH varia de forma log-linear com o T4 livre — 10x mais sensível que o T4 para detectar disfunções subclínicas.

Limiares por Trimestre

Valores de referência específicos para cada trimestre gestacional — padrão crítico para saúde fetal.

Triagem Primária

Único exame necessário para rastreamento de disfunção tireoidiana — T3 e T4 livres são confirmatórios.

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T3 Livre — Triiodotironina Livre (FT3)

T3 Livre — Bioquímica da Triiodotironina Biologicamente Ativa

A triiodotironina (T3) é o hormônio tireoidiano biologicamente mais potente — produzida em pequena fração diretamente pela tireoide (20%) e majoritariamente pela desiodinação periférica do T4 nos tecidos-alvo, principalmente fígado e rins, pela enzima 5'-desiodinase tipo I.

O mecanismo de ação bioquímica do T3 é nuclear: o FT3 penetra na célula, liga-se aos receptores TR no núcleo formando heterodímeros com o RXR, que regulam a transcrição de genes responsivos ao hormônio tireoidiano — genes que controlam o metabolismo basal, a termogênese, o metabolismo de carboidratos e lipídios, a função cardíaca e o desenvolvimento neurológico. A potência biológica do T3 é 3 a 5 vezes superior à do T4, pois tem maior afinidade pelos receptores nucleares.

Valores de referência: FT3 de 2,3 a 4,2 pg/mL (3,5 a 6,5 pmol/L).

T3 Livre Bioquímica — CEMED Campina Grande PB

Indicações Clínicas

  • Diagnóstico de tireotoxicose a T3 — TSH suprimido com FT4 normal e FT3 elevado
  • Avaliação da síndrome do T3 baixo em doenças críticas — diferenciação de hipotireoidismo verdadeiro
  • Monitoramento de tratamento com drogas antitireoidianas — PTU e metimazol bloqueiam a síntese de T3
  • Pacientes com hipotireoidismo tratado com T4 e sintomas persistentes — avaliação da conversão periférica
  • Avaliação do efeito de amiodarona — inibe a 5'-desiodinase, reduzindo a conversão T4→T3
T4 Livre — Tiroxina Livre (FT4)

T4 Livre — Bioquímica do Pró-Hormônio Tireoidiano

A tiroxina (T4) é o principal hormônio sintetizado e secretado diretamente pela glândula tireoide — produzido pela iodação sequencial da tirosina nos resíduos de tiroglobulina, catalisada pela tireoperoxidase (TPO) na presença de H2O2 e iodo.

A vantagem bioquímica fundamental do FT4 sobre o T4 total reside na independência das variações das proteínas plasmáticas transportadoras. O T4 total é fortemente influenciado pela TBG — elevada na gravidez, uso de estrógenos e hepatite — e reduzida no uso de andrógenos, síndrome nefrótica e hipoproteinemia.

O FT4 combinado ao TSH permite a classificação bioquímica completa das disfunções tireoideas: TSH alto + FT4 baixo = hipotireoidismo primário; TSH baixo + FT4 alto = hipertireoidismo primário; TSH baixo + FT4 baixo = hipotireoidismo central (secundário ou terciário); TSH alto + FT4 alto = síndrome de resistência ao hormônio tireoidiano (rara).

T4 Livre Bioquímica Tireoide — CEMED Campina Grande PB

Indicações Clínicas

  • Confirmação bioquímica e classificação de hipotireoidismo — distingue primário de central
  • Diagnóstico e quantificação da gravidade do hipertireoidismo manifesto
  • Gestantes — indispensável pois a gravidez eleva a TBG e invalida o T4 total como marcador fidedigno
  • Ajuste de dose de levotiroxina — meta terapêutica: FT4 no terço superior do intervalo de referência
  • Avaliação de doenças hipofisárias com suspeita de deficiência de TSH (hipotireoidismo central)
  • Neonatos com TSH elevado no teste do pezinho — confirmação bioquímica obrigatória

Diferenciais Bioquímicos

Independência da TBG

FT4 não é afetado por variações da TBG — método superior ao T4 total em gestantes e usuárias de estrógenos.

Classificação Bioquímica

TSH + FT4 mapeiam bioquimicamente todas as disfunções tireoideas — primária, central e resistência hormonal.

Pró-Hormônio

FT4 é o reservatório circulante de T3 — sua dosagem reflete a capacidade de produção periférica do hormônio ativo.

Meta Terapêutica

Em pacientes em reposição, FT4 no terço superior do intervalo é a meta bioquímica para adequada conversão periférica em T3.

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